terça-feira, novembro 16, 2004

A quarta revelação

Em boa hora se revelou mais uma profecia, desta vez pela profeta Ana, certamente inspirada pelo divino local em que nos encontrávamos. Recordo agora que, como mero espectador, pude observar um dos momentos mais extraordinários passados em Lisboa desde.....bom, desde sempre. Esse momento afectou o mundo inteiro, mas como sempre, as massas amorfas não se aperceberam de nada, do quanto dependem do Pipismo.

Foi há não muito tempo atrás que nós, três profetas incontestados do pipismo, descíamos a alameda do técnico para ir jantar na cantina com mais três seres triviais (triviais: que não conhecem o pipismo). Devo dizer que a primeira revelação de Ana surgiu antes, na discussão de onde iríamos comer. Ela disse:

"Não me apetece muito ir à cantina"

mas não tomámos consciência do poder da afirmação e fomos então como que magnetizados pelo MAL para a cantina.
A segunda revelação de Ana surgiu nesse momento que descíamos a Alameda.

"Ouve lá..." (referindo-se ao facto dos seres triviais irem bastante à nossa frente)

e eis que no momento tudo se coordenou para que à cantina não fossemos. JV foi o porta voz e exprimiu o sentimento de que tínhamos de ir a outro sítio. No momento vacilámos, pensámos em voltar para trás, afinal dois dos seres triviais afinal iam para casa e não para a cantina, o outro ficaria só...mas não pudémos resistir ao impulso de algo que é maior que nós e decidimos ir à sagrada tasca, embora sem ainda o saber. Quando cruzámos aquele lugar mágico, Ana teve a terceira revelação:

"Nunca aqui vim"

e entrámos. Logo sentimos a aura que rodeava o local como que a envolver-nos na conversa que vinhamos tendo. Aí aconteceu a tragédia: JV chocou-nos com a sua interpelação. Ele admitiu ter uma fatal doença e descreveu-a com tal lucidez e simplicidade que aposto que todos os verdadeiros pipistas sentiram o frio a percorrer-lhes a espinha nesse dia, mesmo não estando no local. Entre choros e gritos, caos e desordem, entre a mais pura apocalipse (afinal toda a gente sabe que os pipistas são indestrutíveis em mente e corpo) eis que a quarta e última revelação (sim, quarta) surgiu, mais uma vez de Ana:

"Do sagrado beberás e a doença curarás"

devo dizer que na hora duvidei mas isso só prova a genialidade da profeta Ana, que insistiu na sua revelação pois ela sabia que era, que só podia ser, que tinha de ser, a VERDADE.

Mais tarde, JV confessou que se sentia melhor e que a sua fatal doença estava ultrapassada. Milagre!!! Milagre!!!!!! A alegria estendeu-se a todos o elementos do Universo, apesar de muitos não o saberem. Só então, nesse momento, é que me apercebi de toda a essência do ser, e porque é que JV foi curado. Ele bebeu a essência do ser, como todos o fazemos de tempos em tempos. É a renovação do ser que o torna mágico e que permite a sua continuidade por todo o espaço-tempo.
Foi esta a história, a revelação, a aventura que vos quis contar. Às vezes pergunto-me se terá sido apenas uma história, ou mera coincidência. Esse pensamento desvanece naturalmente logo que é confrontado com as verdades do Pipismo...

PS: se forem à tasca sagrada não peçam porco preto, a carne é gordurosa, muito salgada e dura que nem uma sola de sapato.

4 comentários:

paw disse...

Excelente conselho. OS pipistas não vão esquecer de não pedirem a carne de porco preto na tasca sagrada. Uma vez que esta é gordurosa, muito salgada e dura que nem uma sola de sapato.

Persona disse...

Posso, contudo, pedir o dito "porco preto" para outros fins!

armakáu disse...

Para que queres o "porco preto"? Para venerar?

João Vasco disse...

Este artigo deveria ter sido chamado "A quinta revelação"